É confrangedora a disponibilidade dos agentes do absurdo para discutirem migalhas, quando em cima da mesa deveria estar a valorização e o reconhecimento do trabalho de quem ensina a fazer pão!

Haverá limite para tanta e tão medonha humilhação?

Infelizmente, tudo leva crer que não! 

De facto, e apesar de todas as linhas encarnadas terem sido pisadas com desfaçatez e escárnio bastantes, a ignomínia aparenta não ter fim.

Mas, e apesar do opróbrio, os interlocutores permanecem sentados à(s) mesa(s) fingindo protagonizar uma negociação! Encontro após encontro, enquanto o tempo se esvai entre os dedos do povo, multiplicam-se as percentagens, as tranches, as fatias douradas, os cálculos e  as datas com as quais o diabo amansa a multidão.

Porém, por mais absurda que seja, a cena é galvanizadora!

Pois, assim que a tutela lança ao ar as miseráveis migalhas, de pronto se erguem os bicos dos especialistas e as penas dos analistas, para dissertarem, umas vezes em direto, outras em deferido, sobre a trajectória e o impacto das migalhas na resolução dos problemas da escola pública!

No final das contas de subtrair, sobram tão somente as migalhas que o diabo amansou e o ego inflado de quem gosta de se ouvir e ver televisionado! 

Haverá coragem bastante para erguer uma rebelião? ou seremos vencidos pelo medo de perder as migalhas?

Iremos tolerar que a escola continue como está, sob o jugo dos facilitadores de negócios, que certificam as balanças de (im)precisão onde a tutela pesa as migalhas! 

Iremos tolerar que os agentes do absurdo, que utilizam as influências partidárias e a rede mediática para erodir a luta e os protestos, continuem a ditar as regras e a definir o programa das reivindicações? 

Iremos deixar que continuem a cortar às fatias a nossa esperança e a roubar sem vergonha o nosso pão?

Eu digo não, e tu?

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